sáb. jul 2nd, 2022

Uma adolescente de 15 anos, moradora do Bairro Mocinha Magalhães, em Rio Branco, foi levada de casa, no último sábado, sob a promessa de trabalhar e ganhar dinheiro no Estado do Mato Grosso. A menina seguiu até a cidade de Campo Novo do Perecis após viajar de carona, em carro particular, por mais de 2 mil quilômetros. Ela não tinha documentos e, na estrada, foi “tutelada” por criminosos, suspeitos de integrarem uma rede para o tráfico de pessoas. O emprego era uma falsa promessa.

A garota foi entregue na Boate Luxúria, casa de prostituição mais badalada da pequena cidade, de propriedade de uma família rica. Com poucas peças de rouba na mochila, a menina foi levada a uma loja de confecções, que também pertence á dona da boate. Lá, contraiu uma dívida de R$ 700,00, que seria paga fazendo programas. A garota se viu obrigada a se prostituir. Sofreu assédios e obteve propostas atraentes de que seria muito bem remunerada em troca de sexo. Foi encantada com relatos de que a cidade, um dos principais nichos do agronegócio do país, lhe renderia posses e até imóveis. Os clientes: caminhoneiros de passsagem por Campo Novo e outros homens do município situado 400 quilômetros distantes de Cuiabá.

A família buscou socorro do 1º sargento Agenaldo Batista Souza, do Corpo de Bombeiros do Acre. O militar deu início a uma investigação solitária, e localizou o delegado cuiabano Onofre da Silva, a quem fez o relato do sequestro. “Eu não sabia por onde começar, mas eu me compadeci com o desespero da família”, disse o militar.

O pai da garota, o servente de pedreiro Antônio Arnaldo, soube do sumiço da filha somente nesta manhã, através do militar, que o orientou a aguardar o contato das autoridades. “Ela mora com a mãe dela. Não sei de nada”, disse.

A adolescente acreana  foi resgatada pela Polícia Civil quando estava submetida à prostituição na Boate Luxúria. O delegado deu ordem de prisão à dona da boate e à aliciadora, uma garota de apenas 18 anos que é prostituta e teria vindo ao Acre apenas para buscar a “amiga”.

As duas criminosas estão presas e devem ser encaminhadas ao presídio local.

A aliciadora foi ouvida na manhã desta quarta-feira pelo delegado Onofre, com quem o repórter Assem Neto conversou por telefone.

A criminosa disse na delegacia que não sabia da idade da menina, e que ela teria apresentado um boletim de ocorrência relatando o extravio de seus documentos pessoais. Com esse B.O ela conseguiu passar pelas barreiras policiais na BR 364.

A entrevista com o delegado, em áudio, será publicada em instantes. Ele agradece ao bombeiro militar acreano “um herói fundamental” no resgate da garota, e conta detalhes sobre os cachês prometidos a ela, que incluem até gratificações por doses de bebidas vendidas aos clientes.

A conselheira tutelar Bianca Tavares, da cidade matogrossense, disse ao acjornal que a menina está “institucionalizada”, ou seja, sob os cuidados de um abrigo.

“O juiz vai decidir com quem ela vai ficar”, afirmou.

Os conselheiros tutelares do Acre farão uma visita à casa dos pais, e falarão com ela por videoconferência.

fonte: acjornal