seg. maio 23rd, 2022

Com ator acreano, o filme retrata a miséria dos brasileiros e está entre as exibições do Festival do Rio.


'Centelha', filme produzido no Acre, será exibido na Première Brasil — Foto: Arquivo pessoal

‘Centelha’, filme produzido no Acre, será exibido na Première Brasil — Foto: Arquivo pessoalhttps://fa240c13f33dc024f3070ff581f68f6a.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

A obra do cineasta carioca Renato Vallone produzida no Acre está entre as produções que serão exibidas no Festival do Rio deste ano. “Centelha” mostra o cinema independente na sua forma genuína em uma produção de 27 minutos, que retrata o desamparo dos brasileiros em meio às mazelas da pandemia, falta de emprego e miséria e também a resiliência pela fé.

A narrativa do filme é sobre um idoso que vive dentro de sua casa em situação precária e com fome. O telespectador começa com a imagem do ator durante um ritual espiritual em que pede a cura por forças ancestrais.https://fa240c13f33dc024f3070ff581f68f6a.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

O filme foi produzido em quatro dias e meio. Para o diretor, a obra é mais do que uma narrativa, mas também um grito de socorro do cinema independente e também de outras artes. É o reflexo das desigualdades e da luta de quem quer e necessita do básico.

“Centelha foi dirigido na crise e sem recursos, por alguém dentre os milhões de endividados no meio de uma pandemia global, num país sem governo. É um filme pequeno, simples, cheio de imperfeições e lacunas mas longe de ser inofensivo”, diz.

O filme também fez história no estado ao ser o primeiro de produção independente exibido na sala de cinema comercial, que fica em um shopping de Rio Branco. A sessão foi feita apenas para convidados em evento fechado.

‘Reconhecimento’

‘Cleber Moura é o ator acreano que dá vida ao personagem do curta. Ele diz que atua desde os 13 anos e que ter um trabalho exibido no festival é um reconhecimento.

“Sou ator desde os 13 anos de idade, quando fiz meu primeiro trabalho e me foi dada a carteira de ator profissional. Foi a segunda montagem de ‘Pluft, o Fantasminha’, de Maria Clara Machado, em 1960. Não parei mais de fazer teatro, me formei em filosofia em São Paulo e depois fiz cinco anos de academia de Belas Artes na Itália. Também sou formado em cenografia. Nasci no Acre, no seringal, mas aos 10 anos de idade fui para o Rio de Janeiro e participar do festival é um reconhecimento muito grande”, avalia.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Com ator acreano, filme mostra as contradições e desigualdades do país  — Foto: Renato Vallone/Arquivo pessoal

Com ator acreano, filme mostra as contradições e desigualdades do país — Foto: Renato Vallone/Arquivo pessoal

Mesmo sendo um filme completamente independente e sem qualquer recurso, o diretor destaca a ajuda de alguns amigos na capital, como Bruno Saucedo, Flávio Lôfego, Yuri Montezuma e também da produtora associada.

“Aruac Filmes, do diretor Eryk Rocha, teve uma pequena participação com recursos para a pós produção, especialmente na contratação de profissionais como Bernardo Adeodato, na mixagem do filme e do Fábio Souza, com a marcação de luz e finalização”, pontua.

Para Vallone, a exibição do curta no festival é uma forma de dar voz ao cinema independente.

“Ao lado de alguns artistas que vivem a precariedade nesse deserto cultural onde o Estado deveria ser a vanguarda do Cinema e no entanto a vanguarda do estado é o capital, o filme nasceu porque tinha que nascer”, diz.https://fa240c13f33dc024f3070ff581f68f6a.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Exibição e o festival

O curta gravado no Acre está com a estreia marcada para 16 de dezembro, às 19h, no Cinépolis Lagoon – Lagoa Rodrigo de Freitas. O filme será exibido junto de mais três curtas metragens.

No dia seguinte haverá uma reprise no já histórico Estação Net Rio. Tomando todas as medidas de segurança sanitária, usando máscaras eficazes e principalmente com as duas doses da vacina contra a Covid-19.

Nascido e criado na periferia do Rio de Janeiro, Renato Vallone recebeu reconhecimentos importantes em sua trajetória como montador cinematográfico.

O Festival do Rio anuncia os selecionados das mostras competitivas e mostras paralelas da Première Brasil 2021, com produções de diretores novos e consagrados de todo o país. As mostras competitivas reúnem filmes de ficção e documentários, longas e curtas.

Na programação da Première Brasil, também estão os filmes Hors Concours, a competitiva de novas linguagens, Première Brasil Novos Rumos, e a Première Brasil Especial com grandes homenagens a filmes clássicos e grandes nomes do cinema.

Renato Vallone é cineasta e gravou o curta em Rio Branco   — Foto: Arquivo pessoal

Renato Vallone é cineasta e gravou o curta em Rio Branco — Foto: Arquivo pessoal

FONTE: G1ACRE