qua. maio 25th, 2022


José Bartolomeu Souza foi baleado três vezes pela PM-AC durante um ataque de esquizofrenia — Foto: Arquivo pessoal

José Bartolomeu Souza foi baleado três vezes pela PM-AC durante um ataque de esquizofrenia — Foto: Arquivo pessoal

A família de José Bartolomeu Silva Souza, de 33 anos, está revoltada com a ação policial que terminou com a morte dele. O homem sofria de esquizofrenia e foi baleado pela Polícia Militar (PM-AC) durante um surto, na última terça-feira (8). Ele teria tentado agredir os policiais com um terçado e levou três tiros.

A PM-AC foi acionada pelo pai de Souza, após ele ameaçar tirar a própria vida, no Ramal do Braz, região do Belo Jardim II, em Rio Branco. O rapaz teria se trancado dentro de casa e a família resolveu pedir ajuda à polícia. Ao chegar na residência, Souza teria recusado a sair e a polícia decidiu quebrar a porta.

Segundo os familiares, por causa do surto, Souza ficou ainda mais assustado com a ação dos policiais e tentou se defender com um terçado. Ao perceber a possível agressão, os policiais dispararam contra o morador.

Uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionada para atender o rapaz. Ele foi colocado dentro de uma viatura da PM-AC e levado ao encontro da ambulância.

José Bartolomeu Souza morreu na noite dessa quarta (9) no Pronto Socorro de Rio Branco. Nesta quinta (10), o irmão de Souza, Francisco de Assis, conversou com uma equipe da Rede Amazônica Acre no Instituto Médico Legal (IML) e condenou a forma como a situação foi conduzida pela PM-AC.

“A polícia foi, arrombou a casa, ele tinha um terçado dentro de casa, porque ficava sozinho, e atiraram nele lá dentro mesmo. Deram três tiros nele. No lugar de ajudar, fizeram isso com meu irmão. Ele era especial, uma pessoa que não ofendia ninguém, tinha os problemas dele, mas só ofendia ele mesmo porque, às vezes, quando se aperreava queria se matar e a gente chamava, ele ia, dormia e no outro dia acordava bom”, lamentou.

PM lamenta morte

 

Em nota, a PM-AC lamentou a morte do morador e afirmou que os disparos foram feitos após Souza ameaçar matar um policial com o terçado. Segundo a polícia, a casa estava com pouca iluminação e, com ajuda de uma lanterna, o policial viu quando o rapaz veio em direção ao militar.

Ainda segundo o comunicado da polícia, equipes do Corpo de Bombeiros também tentaram ajudar na negociação com o morador, mas sem sucesso. Veja nota na íntegra abaixo.

“Foram necessários três disparos para que o homem cessasse seu intento, vindo a cair e largar o terçado. A equipe da PM acionou o Samu e auxiliou na remoção do homem até a ambulância, considerando a dificuldade de acesso ao ramal. Reiteramos que a corporação lamenta o desfecho do fato, sente pelo falecimento do senhor José Bartolomeu, e afirma que o intuito da instituição é sempre garantir a vida e a segurança dos cidadãos”, diz a PM-AC.

‘Dor que não passa’

 

Muito abalado com a perda, Francisco de Assis falou que a família ainda não sabe se vai tomar alguma providência sobre o caso. Além de esquizofrenia, José Bartolomeu Souza também sofria de epilepsia.

O parente revelou que ele tomava medicamentos controlados desde criança. “Ele queria se matar, e foram lá e mataram. Foi o que fizeram com meu irmão. O que vamos fazer é superar a dor, que não passa”, criticou.

Nota da PM-AC

 

Em relação à ocorrência envolvendo tentativa de suicídio na noite do último dia 8 de março, primeiramente, a Polícia Militar e seu corpo de policiais lamentam profundamente o falecimento do Sr. José Bartolomeu Silva de Souza.

Informamos que uma guarnição da PM foi empenhada para o atendimento da referida ocorrência, no Ramal do Bráz, juntamente com uma guarnição do Corpo do Bombeiros Militar.

No local, foi informado por familiares que o homem encontrava-se dentro de uma residência em estado de descontrole emocional, agressividade e dizia que iria comenter suicídio.

A equipe do Corpo de Bombeiros tentou contato verbal com o homem mas não obteve nenhuma resposta. Então, a guarnição da PM entrou na residência para verificar a situação do possível suicida.

A residência contava com pouca iluminação, e, utilizando-se de uma lanterna, os policiais foram verificando os cômodos do local. Ao entrarem em um quarto da residência, o homem foi visualizado com um terçado nas mãos.

Os militares ordenaram que o homem soltasse o terçado (arma branca), porém o indivíduo ameaçava os policiais e, em dado momento, se lançou em direção a um policial e, levantando o braço que empunhava o facão, disse que iria matar o militar. Neste momento, o policial repeliu a injusta agressão, usando a arma de fogo.

Foram necessários 3 disparo para que o homem cessasse seu intento, vindo a cair e largar o terçado.

A equipe da PM acionou o Samu e auxiliou na remoção do homem até a ambulância, considerando a dificuldade de acesso ao Ramal.

Após o homem ser encaminhado ao hospital, a equipe elaborou boletim de ocorrência e entregou, juntamente com o terçado, a delegacia de polícia civil, e, posteriormente, apresentaram-se a corregedoria da Polícia Militar, para os procedimentos de polícia judiciária militar cabíveis em todas as ocorrências em que há disparo de arma de fogo por policial militar com lesão a pessoa.

Reiteramos que a corporação lamenta o desfecho do fato, sente pelo falecimento do senhor José Bartolomeu, e afirma que o intuito da instituição é sempre garantir a vida e a segurança dos cidadãos.

Assessoria de Comunicação da PMAC

Colaborou a repórter Agatha Lima, da Rede Amazônica Acre.

fonte: g1acre