qui. jun 23rd, 2022

Em relação ao gênero, 83,1% das vítimas de violência são mulheres e 74,5% dos agressores são homens

A Divisão de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre) divulgou nesta semana um boletim com dados sobre violências praticadas no Acre, de 2008 a 2021.

O objeto da pesquisa feita com base no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) é dar visibilidade à quantidade de casos de violência doméstica, sexual e outros tipos de violência (psicológica/moral; financeira/econômica; tortura; tráfico de pessoas; trabalho infantil; negligência/abandono; intervenção por agente legal) contra mulheres e homens de todas as idades.

No período de 2008 a 2021, foram notificados 17.118 casos de violência interpessoal e autoprovocada. A maior incidência foi registrada em 2017, quando 2157 vítimas foram parar nas estatísticas.

2021 se destacou com o maior número de casos dos últimos 4 anos: 2026 pessoas violentadas.

Foi realizada uma análise descritiva das características sociodemográficas das vítimas de violência (idade,raça/cor da pele, sexo e local de ocorrência) e nos ciclos de vida: crianças (0 a 9 anos), adolescentes (10 a 19 anos), adultos (20 a 59 anos) e idosos (60 ou mais anos). Foram descritos os tipos de violências e o provável autor da agressão.

“No ano de 2020, quando teve início da pandemia de Covid-19 no Brasil, houve uma significativa redução nas notificações de violência com um decréscimo de 23,0% em relação ao ano de 2019. Já no ano de 2021 é observado um aumento de 33,0% das notificações em relação ao ano anterior”, diz um trecho.

Os municípios com maiores porcentagens de notificações foram Rio Branco com 45,2%; Brasiléia com 12,7%; Xapuri com 7,3%; e Epitaciolândia com 6,6%.

Mulheres são maioria entre as vítimas

Em relação ao gênero, 83,1% das vítimas de violência são mulheres e 74,5% dos agressores são homens.

“No que diz respeito a faixa etária com o maior número de notificações a faixa etária mais acometida pela violência foi a de 10 a 19 anos que apresentou 50,6% do total, seguida pela faixa de 20 a 59 anos com 40,2%. A faixa etária correspondente a 0 a 9 anos apresentou 7,1% das notificações e a de 60 anos e mais representou 2,1%”, destaca.

O que também se evidencia no cenário nacional é que a maior parte das violências ocorre dentro das residências (77,4%). 12,7% foram registradas em via pública e o restante (4,3%) em outros locais.

Pessoas pardas são maioria entre as vítimas (84,2%), seguidas pelos brancos (9,2%) e pretos (3,9%).

Violência sexual

Dentre as crianças menores de 10 anos de idade, a sexual foi o tipo de violência mais comum (37,8%), seguido da violência física (27,1%) e psicológica/moral com 15,5% das notificações. Com relação ao provável autor da agressão o amigo/conhecido da família correspondeu a 21,2%, ou seja a maior parte dos casos, sendo que o pai apareceu em 19,6% das notificações e a mãe em 15,2% dos casos notificados.

Adolescente (10 a 19 anos de idade)

A violência sexual (42,2%) foi o tipo de violência mais comum na faixa etária de 10 a 19 anos de idade, seguida pela física com 25,0% das notificações. Na maior parte dos atendimentos, tratava-se do namorado(a) o provável autor da agressão (28,8%) e em segundo lugar o cônjuge com 23,8%.

Adulto (20 a 59 anos de idade)

Dentre os indivíduos de 20 a 59 anos de idade, a violência física foi responsável por 46,0% das notificações nesta faixa etária, em segundo lugar foi à violência por lesão autoprovocada com 21,0% seguida da psicológica/moral com 18,3%. O provável autor de agressão foi a própria pessoa – lesão autoprovocada com 37,6% das notificações, seguida pelo cônjuge (22,4%) e desconhecidos (14,2%) e amigos/conhecidos (14,0%).

Idosos (60 e mais anos de idade)

Dentre os indivíduos com 60 ou mais anos de idade, a violência física foi responsável por 54,6% das notificações, seguida pela psicológica/moral (17,6%) e lesão autoprovocada com 10,6%. O provável autor da agressão foi uma pessoa desconhecida (30,9%), seguida pelos amigos/conhecidos com 17,5% e do filho(a) com 16,3% dos atendimentos.

fonte: contilnet