seg. jun 27th, 2022

Com um total de 75.780 óbitos registrados por Covid-19 em Cartórios do Brasil (dados consolidados na última segunda-feira, 12), o mês de março deste ano é o pior da pandemia no país, segundo os dados que constam no Portal da Transparência do Registro Civil.

A base de dados do Portal da Transparência é abastecida em tempo real pelos atos de nascimentos, casamentos e óbitos praticados pelos Cartórios de Registro Civil do país, e administrada pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil).

Na plataforma, são cruzados os dados históricos do estudo Estatísticas do Registro Civil, promovido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base nos dados dos próprios cartórios brasileiros.

O mês de março trouxe também uma triste marca que simboliza o impacto do vírus na história do país. A doença causada pelo novo coronavírus representou 48% do total de óbitos por causas naturais (mortes por doenças) registrados este ano no Brasil, totalizadas em 171.211 até o dia 12 de abril.

Os óbitos por Covid-19, que no auge da 1ª onda, em julho de 2020, chegaram a representar 23,1% dos óbitos por causas naturais, já haviam dado sinais de que estavam voltando a crescer em dezembro, representando 21,5% das mortes por doenças, mantendo uma curva de crescimento contínuo em janeiro (24,3%) e fevereiro (25,4%).

Ao atingir 48% das mortes por doenças no Brasil, a Covid-19 quase dobra seu impacto no total dos óbitos naturais em relação a fevereiro passado, até então o mês mais mortal.

“Os dados de óbitos feitos pelos Cartórios no mês de março foi o maior já registrado na história, o que sem dúvida nenhuma demonstra o grau de letalidade desta doença, que foi responsável por quase metade dos falecimentos por causas naturais no país”, destaca Gustavo Fiscarelli, presidente da Arpen/Brasil.

Entre os estados brasileiros, na região Norte, os óbitos por Covid-19 representaram 63,7% das mortes por causas naturais em Rondônia, 62,1% em Roraima, 53,3% no Acre e 50,3% no Tocantins.

No Nordeste, as mortes por Covid-19 representaram 46,8% dos falecimentos no Ceará e 42,8% no Rio Grande do Norte.

No Sul do Brasil, a Covid-19 representou mais de 50% das mortes em todos os Estados: no Paraná, 52,5%, em Santa Catarina, 52,3%, e no Rio Grande do Sul, 54,4%.

No Centro-Oeste, dois estados estiveram acima de 50%: Goiás, 58,7%, e Mato Grosso, 55,8%, com o Distrito Federal tendo 46,7% e o Mato Grosso do Sul 45,1%.

Na região Sudeste, São Paulo teve 45,5% dos óbitos por doenças naturais por Covid-19, Minas Gerais 43,6%, Espírito Santo 37,9% e Rio de Janeiro 30,3%.

Mortes x Nascimentos

Outro número impactante da pandemia no Brasil se refere à diferença entre o número de nascimentos e o de óbitos registrados nos Cartórios de Registro Civil. Antes da crise sanitária, em média, nasciam 137 mil crianças a mais do que a quantidade de óbitos registrados ao mês.

Essa diferença média caiu drasticamente a “apenas” 48.086 mil nascimentos. A queda abrupta acontece mesmo em meio a uma “reação” das gestações no mês de março, que registrou um total de 229.167 nascimentos, 14,6% a mais do que em fevereiro.

No entanto, o vertiginoso aumento no número total de óbitos, que atingiu a marca histórica recorde de 181.081 mortes em março deste ano, impediu que o país avançasse na equação nascimentos versus óbitos, que vem caindo desde o agravamento da pandemia em janeiro deste ano.

Entre os estados brasileiros, o Rio Grande do Sul foi o único a registrar, pela primeira vez em sua história, mais óbitos do que nascimentos em um mês, totalizando 11.971 nascimentos frente a 15.802 óbitos.

Quatro capitais brasileiras também registraram crescimento populacional negativo no mês de março: Natal (RN), Recife (PE), Porto Alegre (RS) e Rio de Janeiro (RJ). Apenas 459 nascimentos no mês de março impediram que a cidade de São Paulo tivesse mais óbitos que nascimentos pela primeira vez na história desde o início da série histórica do Registro Civil em 2003.

O número de óbitos registrados no mês de março de 2021 ainda pode vir a aumentar, assim como o número de nascimentos e a variação das médias e da comparação entre nascimentos e óbitos para o período, uma vez que os prazos para registros chegam a prever um intervalo de até 15 dias entre o falecimento e o lançamento do registro no Portal da Transparência.

Além disso, alguns estados brasileiros expandiram o prazo legal para comunicação de registros em razão da situação de emergência causada pela Covid-19. Os nascimentos também possuem prazo legal a ser observado, tendo os pais até 15 dias para registrar o recém-nascido em cartório.

Com informações da Assessoria de Imprensa da Arpen-Brasil.

fonte: ac24horas