qui. jun 30th, 2022

Órgãos encaminharam ofício pedindo explicações sobre a compra de remédios para o kit, critérios de distribuição desses remédios e outros pontos para o prefeito.


Tião Bocalom é defensor do tratamento precoce contra a Covid-19, que não tem eficácia científica — Foto: Reprodução Rede Amazônica/Acre

Tião Bocalom é defensor do tratamento precoce contra a Covid-19, que não tem eficácia científica — Foto: Reprodução Rede Amazônica/Acrehttps://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, tem cinco dias para explicar as declarações dadas sobre o ‘kit Covid’ para o Ministério Público Estadual (MPF-AC) e Ministério Público Federal (MPF-AC). Os dois órgãos enviaram um ofício para o prefeito responder quais remédios compõem esse kit, se eles foram aprovados por algum órgão de saúde e também se o gestor gastou dinheiro com a compra desses remédios.

A assessoria de comunicação da prefeitura informou que já recebeu a notificação dos órgãos e alegou não ter kit Covid.

Em março, o MP-AC começou a investigar a compra e distribuição dos medicamentos do ‘kit covid’ pela Secretaria de Saúde de Rio Branco (Semsa). O órgão instaurou uma notícia fato para apurar a compra de ivermectina e azitromicina no valor de mais de R$ 700 mil pela pasta.

As compras – uma no valor de R$ 183 mil de ivermectina e outra de R$ 545 mil – para aquisição do remédio azitromicina, foram publicadas no Diário Oficial do Acre (DOE) no mês de janeiro. A Saúde assinou contrato com duas empresas para ter o fornecimento por 12 meses.

Mesmo com a orientação da Associação Médica Brasileira de que o uso de remédios sem eficácia contra Covid-19 deve ser banido, o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom,defende o tratamento precoce para pacientes em suas redes sociais.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Ele chegou a ter a página no Facebook suspensa por 48 horas após postagens sobre o tratamento precoce. Quando retornou para a rede social, ele voltou a defender o tema.

Bocalom chegou a ter página no Facebook suspensa por 48 horas após postagens sobre tratamento precoce — Foto: Reprodução/Facebook

Bocalom chegou a ter página no Facebook suspensa por 48 horas após postagens sobre tratamento precoce — Foto: Reprodução/Facebook

Ação

O MPF-AC e MP pediram ainda que o prefeito esclareça se houve alguma recomendação do Ministério da Saúde ou de algum órgão técnico para o uso dos medicamentos nos moradores de Rio Branco. Além disso, o gestor deve explicar de que forma esse kit é distribuído na rede pública de saúde e as diretrizes e critérios de distribuição.

As entidades questionam quem poderia tomar os remédios, se essas pessoas fazem o teste para a Covid-19 e a forma com que é feito o acompanhamento desses pacientes.

O documento encaminhado para a prefeitura é assinado pelo procurador da República, Lucas Costa Almeida Dias, e o promotor de Saúde do MP-AC, Gláucio Ney Shimora Oshiro.

MP-AC investiga compra de mais de R$ 700 em remédios sem eficácia contra Covid-19 — Foto: Getty Images via BBC

MP-AC investiga compra de mais de R$ 700 em remédios sem eficácia contra Covid-19 — Foto: Getty Images via BBChttps://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

‘Kit Covid’

A ivermectina é um vermífugo usado para combater parasitas, como lombrigas e piolhos; a cloroquina é usada no tratamento de malária, lúpus e artrite reumatóide; e a azitromicina é um antibiótico. Os remédios não têm comprovação científica de eficácia no tratamento precoce contra a Covid-19. A doença ainda não tem tratamento precoce cientificamente comprovada.

Em sessão on-line na Câmara de Vereadores no dia 9 de março, Bocalom afirmou que a rede municipal de saúde iria continuar distribuindo cloroquina e ivermectina, medicamentos sem eficácia comprovada no tratamento da Covid-19.

Também em sessão no último dia 23, a vereadora Drª. Michelle Melo, do PDT, chegou a divulgar publicação do DOE mostrando a compra de azitromicina e ivermectina. No sábado (27), Bocalom confirmou a compra, mas afirmou que a prefeitura em nenhum momento fez a distribuição desses medicamentos no chamado Kit Covid. E que elas são compradas para estarem à disposição nos postos de saúde do município para o caso de prescrição por parte dos médicos.

A vereadora Michelle encaminhou um ofício para o promotor de Saúde o órgão, Gláucio Ney Oshiro, relatando a situação e pediu providências.

fonte: g1acre