sex. ago 19th, 2022

Além do homicídio, policial foi denunciado pelo MP por ter alterado a cena do crime para alegar que agiu em legítima defesa. Caso ocorreu em novembro de 2017 quando adolescente tentou furtar casa de Erisson Nery, em Rio Branco.


Sargento da Polícia Militar, Erisson Nery — Foto: Arquivo pessoal

Sargento da Polícia Militar, Erisson Nery — Foto: Arquivo pessoal

Preso por atirar em um estudante durante confusão em um bar no último sábado (27), em Epitaciolândia, no interior do Acre, o sargento da Polícia Militar, Erisson Nery, já responde a um processo por ter matado um adolescente de 13 anos. O crime ocorreu em novembro de 2017 quando o menino tentou furtar casa do sargento, em Rio Branco.

Quatro anos após o crime, o policial ainda não foi julgado. Ele foi denunciado em julho de 2021 pelo Ministério Público do Acre (MP-AC) pelos crimes de homicídio e fraude processual e a denúncia foi aceita um dia depois pela Justiça.

O processo tramita na 1ª Vara do Tribunal do Júri. Além de Nery, o policial militar Ítalo Cordeiro também responde no processo por fraude processual. O g1 não conseguiu contato com a defesa de Nery até última atualização desta reportagem e o advogado de Cordeiro, Wellington Silva, diz que não vai se pronunciar no momento.

O sargento ficou conhecido nas redes sociais após assumir um trisal com a mulher, a também sargento da PM Alda Nery, e a administradora Darlene Oliveira. Os três moram na cidade de Brasileia e há alguns meses a sargento estava fazendo tratamento psicológico, quando o casal voltou a gerar polêmica ao surgir boatos de separação.

Conforme a denúncia, na manhã do dia 24 de novembro de 2017, Nery matou o adolescente Fernando de Jesus, de 13 anos, com pelo menos seis tiros, no intuito de “fazer justiça pelas próprias mãos”. O caso ocorreu no conjunto Canaã, bairro Areal.

O adolescente teria ido com outros dois homens, não identificados, furtar a casa do então cabo da Polícia Militar. E, ao perceberem a chegada de uma viatura da polícia, os dois maiores de idade conseguiram pular o muro e fugir, enquanto que Fernando de Jesus foi deixado para trás pelos comparsas e acabou morto pelo policial.

Alterou cena do crime, aponta MP

Após o homicídio, ainda segundo a denúncia, Nery e o colega Cordeiro alteraram a cena do crime, lavando tanto o corpo da vítima quanto os arredores do local onde estava caído, para poder alegar que agiu em legítima defesa.

Os militares teriam ainda colocado a pistola na mão direita do adolescente e fotografado. E, antes da chegada da perícia, decidiram mover a arma a uma distância de cerca de 13 centímetros da mão do menino.

Depois da suposta alteração da cena do crime, o MP disse que ficou a cargo do militar Ítalo Cordeiro fazer o boletim de ocorrência alegando que o adolescente tentou disparar contra a cabeça de Nery, que agiu para se defender.

Flavio Ferreira foi agredido pela sargento Alda Nery — Foto: Reprodução

Flavio Ferreira foi agredido pela sargento Alda Nery — Foto: Reproduçãohttps://81cde12d3c221bbf026842b26e50e608.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Confusão em bar

No último sábado (27), o sargento Nery se envolveu em uma confusão em um bar no interior do Acre, que acabou com o estudante de medicina Flavio Endres Ferreira, de 30 anos, baleado. O militar está preso preventivamente no Batalhão de Policiamento Ambiental, em Rio Branco. Ele foi ouvido na delegacia da cidade enquanto um grupo de amigos fazia protesto e pedia justiça.

O advogado do militar, Matheus Moura, afirmou que vai fazer um novo pedido de revogação de prisão em primeiro grau e entrar com o habeas corpus, paralelamente no Tribunal de Justiça.

Vídeos que circularam na internet mostram o momento da confusão dentro e fora do bar, em Epitaciolândia. Uma das imagens mostra o sargento Erisson Nery armado após atirar contra o estudante e, em outro vídeo, é possível observar que a vítima foi agredida inicialmente pela sargento da PM Alda Nery, mulher do policial.

Vídeo mostra momento em que estudante de medicina é agredido por esposa de sargento da PM

Vídeo mostra momento em que estudante de medicina é agredido por esposa de sargento da PMhttps://81cde12d3c221bbf026842b26e50e608.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

As novas imagens confirmam o depoimento da equipe que fazia a segurança no local no dia da confusão. No depoimento, um dos seguranças diz que o sargento acusava o pessoal da mesa ao lado de estar olhando de forma desrespeitosa para a mulher dele. O segurança tentou acalmar o sargento, mas ele continuava alterado.

Após esse episódio, a equipe de segurança afirma que houve um desentendimento entre o sargento e Alda. A militar teria agredido o marido com alguns tapas no rosto e, novamente, o segurança precisou intervir e pedir que acabasse a contenda.

Teria sido nesse momento que Flavio Ferreira chegou na mesa ao lado e teria ficado observando a confusão. Isso teria incomodado a sargento Alda Nery, que chegou a perguntar o que o estudante estava olhando. Ela, então, partiu para cima do estudante e deu um tapa na orelha dele, que revidou a agressão com um soco na militar.

Ao perceber que a mulher tinha sido agredida, o sargento Erisson Nery tentou bater no estudante, mas foi impedido pelos seguranças.

Estudante baleado por sargento passou por cirurgia em Rio Branco  — Foto: Arquivo pessoal

Estudante baleado por sargento passou por cirurgia em Rio Branco — Foto: Arquivo pessoalhttps://81cde12d3c221bbf026842b26e50e608.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

‘Passou a mão nela’

No domingo (28), o sargento falou ao g1 que reagiu à uma importunação sexual feita pelo homem contra sua mulher.

“O cara molestou minha esposa e ela foi tomar satisfação imediatamente. Mas, ele deu um murro na cara da Alda que ela caiu apagada e com a boca cortada. Aí quando eu vi ela daquele jeito, fui atrás do cara. Lá fora entramos em luta corporal e eu atirei nele. Foram dois disparos, todos pegaram nele. Ele está estável e foi transferido para Rio Branco”, alega.

Nery disse ainda que Alda foi até a delegacia fazer queixa da importunação sexual e agressão. “Ele passou a mão nela. O bar estava lotado, mas ela conseguiu identificar e foi tomar satisfação. Não teve nada de dança, dela estar dançando, de estar conversando, não existe nada disso. Ela passou a mão nela e ela foi tomar satisfação e ele deu um soco nela”, conta.

Confusão do lado de fora do bar — Foto: Reprodução

Confusão do lado de fora do bar — Foto: Reprodução

FONTE: G1ACRE