seg. maio 23rd, 2022

Sem sede do IML na região, vítimas de mortes violentas ou acidentes de trânsito precisam ser transportadas para a capital acreana. Além disso, não há médicos para fazer exames cadavéricos e de conjunção carnal.


Regional do Alto Acre enfrenta falta de estrutura e faz transporte de cadáveres em carro comum — Foto: Alexandre Lima/Arquivo pessoal

Regional do Alto Acre enfrenta falta de estrutura e faz transporte de cadáveres em carro comum — Foto: Alexandre Lima/Arquivo pessoal

A regional do Alto Acre – composta pelos municípios de Assis Brasil, Brasileia, Epitaciolândia e Xapuri, no interior , enfrenta falta de estrutura como o um posto do Instituto Médico Legal (IML) e médicos para fazer exames mais complexos, como em casos de estupros. Além disso, está há mais de 8 meses sem rabecão.

Sem sede do IML na região, as vítimas de mortes violentas, ou acidentes de trânsito precisam ser transportadas para a capital acreana e, com isso, encara outro problema que é a falta de veículo adequado para o transporte.

No início deste mês, a boliviana Maria Eugênia Alavi Burgoa, de 40 anos, foi morta no Mercado Municipal de Epitaciolândia, e o corpo foi transportado em uma caminhonete da polícia. A falta de estrutura, já foi motivo de reunião entre as autoridades destes municípios, com a Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sejusp), por meio do programa Sejusp Itinerante.

“Desde quando cheguei aqui falo da necessidade de termos um IML construído aqui na regional para atender nossa população. Sempre que participamos de reuniões cobro isso. Recentemente, quando teve uma edição da Sejusp itinerante, cobrei do próprio secretário e diretor da Polícia Civil e do governo”, disse o prefeito de Epitaciolândia, Sérgio Lopes.

Cidades do Alto Acre estão há 8 meses sem rabecão — Foto: Alexandre Lima/arquivo pessoal

Cidades do Alto Acre estão há 8 meses sem rabecão — Foto: Alexandre Lima/arquivo pessoal

Pedido

Lopes disse que durante a reunião, quando foram feitos os pedidos, a secretaria ficou de analisar a situação. Ele acrescenta que não ter meios para fazer os exames acaba se tornando um transtorno.

“Via de regra, a gente utiliza para exames mais simples, médicos da rede pública do hospital regional, mas é sempre um incômodo porque muitas vezes não querem fazer. Mas, exames mais complexos relacionados a crimes sexuais têm que ser encaminhados para Rio Branco, assim como os exames cadavéricos”, acrescentou.

A coordenadora da regional, delegada Carla Ívane confirmou a situação e disse que desde o final do ano passado, estão sem o rabecão e já foi enviado documento registrando o caso à direção. Além disso, disse que é uma preocupação porque o transporte feito sem a devida adequação coloca, inclusive, os servidores em risco.

“Estava apresentando problemas mecânicos e foi preciso parar por questão de segurança das pessoas e quando se viu que estes reparos não estavam satisfazendo, uma vez que o rabecão funcionava por um determinado tempo e depois voltava a dar problemas então enviamos para o setor de transportes da Polícia Civil”, contou.

O titular da Secretaria da Justiça e Segurança Pública do Acre (Sejusp), coronel Paulo Cézar Santos, disse que as demandas estão sendo levantadas e devem ser encaminhados dois rabecões para a regional, mas não deu data.

“São pontos da Sejusp Itinerante, levantamos estas demandas e já estamos em processo de aquisição de dois rabecões para atender lá e mais outro para atender a região de Feijó e Tarauacá/Envira”, disse.

Instalação da sede

Sobre a falta de profissionais e instalação da sede do instituto na região, Santos disse que procuram por um espaço para locação para instalar uma sede do instituto, equipar com o necessário, além de disponibilizar os médicos e demais profissionais.

“Quanto ao IML estamos buscando um espaço para locação e atender a demanda de IML lá e também em Sena Madureira. É um assunto que está sendo tratado na Sejusp Itinerante, assim como estamos hoje na região do Juruá. Todos os IMLs vão ter um espaço para fazer exames de conjunção carnal, com atendimento humanitário. Estamos na busca do imóvel e fazendo as adequações sanitárias e no máximo em dois meses, vamos cumprir esta demanda”, concluiu.

fonte: g1 acre