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Empresário que comandou motociatas ataca Bolsonaro e Guedes ao comparar preços em mercado

ByEdnardo

jul 18, 2023

No desabafo que viralizou na internet, homem que articulou bloqueios em estradas após a eleição também chama ex-presidente e ex-ministro de ‘cretinos’

 

Articulador de motociatas bolsonaristas e bloqueios de estradas pós-eleições critica Bolsonaro e Paulo Guedes nas redes

Articulador de motociatas bolsonaristas e bloqueios de estradas pós-eleições critica Bolsonaro e Paulo Guedes nas redes Reprodução/Redes sociais

Um ex-apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) viralizou nas redes neste domingo após publicar um vídeo em que ressalta a queda de preços de produtos em um mercado e critica a gestão econômica de Bolsonaro e de seu então ministro Paulo Guedes. Conhecido como Jackson Villar, o empresário organizava motociatas em apoio a Bolsonaro e ajudou a articular bloqueios de estradas após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de 2022.

A publicação já tem 950 mil visualizações em seu perfil no TikTok em 24 horas e se soma a outros vídeos do empresário em que ele também critica o ex-mandatário e seu entorno. No vídeo mais recente, Villar cita o preço do óleo, que teria baixado de “quase R$15” para R$5 no local, e continua:

“Por que no seu governo você não conseguia baixar essa p*? Hein, miserável? Esse Paulo Guedes tinha que ser preso, esse cara tinha que pagar pelo que ele fez com o país, ele ferrou o país. Aí você tinha que ver o Bolsonaro (dizer): ‘Cada vez mais a carne está virando um produto de luxo no mundo inteiro’. Um país como esse cheio de boi, uma plantação dessa, e o cara tem que falar que a carne está virando produto de luxo. Dá vontade de pegar um cabra desse e dar uma pisa”, desabafa o empresário na gravação.

CLIQUE AQUI para ver o vídeo.

Villar comenta ainda sobre o preço do contra-filé e do pão no estabelecimento: “Contra-filé a R$30. Está vendo aí? Eu peguei logo três peças. Tudo caro. O pão, que aqui eram R$12, caiu para R$5. Como é que eu fui tão trouxa de apoiar uns cretinos desses? Bota na cadeia”.

No fim da gravação, o ex-bolsonarista comenta ainda sobre o episódio de agressão sofrido pelo ministro Alexandre de Moraes e sua família no aeroporto internacional de Roma nesta sexta-feira. “E eu quero me solidarizar com o que aconteceu com o Xandão. Isso é legal? Agredir o filho do cara? P*, bicho! Não tenha dó não, Xandão. Bota esses vagabundos tudo na cadeia”, destacou.

Passado bolsonarista

Há poucos meses, Jackson Villar, que tem nome de registro Jarkson Vilar da Silva, foi alvo de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que derrubou grupos de transmissão administrados por ele na rede Telegram. Um deles, chamado “Nova Direita 70 milhões”, tinha 182 mil membros. Em áudios divulgados pela Agência Pública, o então bolsonarista insinuava que havia fraude eleitoral em curso em benefício de Lula e incitava seguidores a “quebrar as urnas no pau”, além de estimular violência contra eleitores do então candidato petista:

“Você tem que falar assim: ‘Vai ter uma ação aí e se você ficar falando que é petista, os caras vão te marcar. Os caras vão ‘passar’ (expressão para matar) todo mundo que é petista’. Você vai convencer uma alma sebosa. Ele só respeita o medo, ele só respeita o cacete”, afirmava Villar.

Líder do movimento “Acelera para Cristo”, que organiza motociatas de cunho evangélico, o empresário endossou ainda, segundo o jornal Folha de S. Paulo, narrativas golpistas em um dos canais que administrava e convocou bolsonaristas para bloquear estradas e contestar o resultado eleitoral após a derrota do ex-presidente.

Dias antes do segundo turno, o empresário saiu em defesa do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB), que atirou contra policiais federais durante operação em sua casa. Após o episódio, Villar pediu que seguidores saíssem em defesa de Jefferson e sugeriu a prisão de Moraes, de acordo com a reportagem da Agência Pública: “Tem que mandar prender o Xandão. Eu quero ver petista preso, quero ver Xandão na cadeia, esse filho da p* na cadeia”, gritou em um dos áudios.

Na ocasião, outro membro do grupo acrescentou: “A vontade que eu tenho é de meter bala na cabeça do Xandão, só não tive oportunidade ainda”. Villar respondeu: “Se matarem o Roberto Jefferson, isso vai respingar no Bolsonaro violentamente”.

Em junho de 2021, o evangélico organizou uma motociata em São Paulo que contou com a presença de Jair Bolsonaro. A manifestação provocou uma investigação do Ministério Público do estado por ter ocorrido sem a segurança sanitária necessária em meio à pandemia da Covid-19, visto que integrantes estavam sem máscara ao longo do evento.

Recentemente, o ex-presidente teve mais de R$ 500 mil bloqueados por conta de uma dívida de mais de R$ 1 milhão que acumula com o governo de São Paulo. O débito é referente a algumas multas que recebeu por não usar máscara durante a pandemia em eventos no estado. Após a decisão, aliados de Bolsonaro se mobilizaram nas redes para pedir doações via pix a fim de ajudar o ex-presidente a arcar com os valores. Em outro vídeo, publicado em 25 de junho de 2023, Villar critica o movimento e diz ter “nojo” dos parlamentares bolsonaristas.

“O meu recado hoje vai para esses deputados federais e essa falsa direita que está em Brasília. Quero dizer para vocês que vocês estão dando nojo para o povo. (…) Eu fico com nojo de mim mesmo de ter te apoiado. (…) Por que vocês não pediram pix para ajudar crianças que estão em um hospital esperando na fila para comprar um remédio? (…) Eu fico vendo um bando de alienados seguindo uns otários desses. Primeiro aquela ‘Carla Zumbi’ pedindo pix, depois o Dallagnol. Vai se lascar! Agora o Bolsonaro, um cara que tem vários imóveis e ganha R$100 mil por mês. Gente, pelo amor de Deus. Que país é esse? Como que eu posso falar que sou direita vendo uma m* dessas?”, exclama Villar na postagem.

O ex-apoiador de Bolsonaro também foi candidato a deputado federal pelo Republicanos nas últimas eleições, mas teve a candidatura indeferida pela Justiça Eleitoral por não ter prestado contas de sua candidatura anterior, em 2018.

FONTE: CONTILNET

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