qui. jun 30th, 2022

Nesta terça-feira (17), o Congresso dos EUA sediou uma audiência pública, com transmissão online, para atualizar as informações referentes à “Força-Tarefa de Fenômenos Aéreos Não Identificados” (UAPs), programa dedicado às investigações sobre o que também chamamos de objetos voadores não identificados (OVNIs).

Conduzida pelo Subcomitê de Contra-Terrorismo, Contrainteligência e Contra-Proliferação da Câmara, a audiência seguiu na esteira de um relatório preliminar apresentado no ano passado ao Congresso pelo diretor do Escritório de Inteligência Nacional.

Assista à reunião na íntegra:

Além disso, a Lei de Autorização de Defesa Nacional exigia que os militares criassem um escritório permanente para abrigar os esforços de investigação de ONVIs, apresentando ao Congresso um relatório anual e resumos de atividades duas vezes por ano. O escritório é conhecido como Grupo de Identificação e Gerenciamento de Sincronização de Objetos Aéreos (AOIMSG).

Congressista diz que OVNIs são “potencial ameaça à segurança nacional”

“Hoje, vamos tirar essa organização das sombras”, disse o presidente do subcomitê, André Carson, que é deputado do estado de Indiana pelo Partido Democrata, durante a abertura da audiência. “Chamando os UAPs de potencial ameaça à segurança nacional”, declarou ele, afirmando que os pilotos militares que avistaram OVNIs foram ridicularizados por muito tempo.

André Carson, deputado do estado de Indiana pelo Partido Democrata e presidente do Subcomitê de Contra-Terrorismo, Contrainteligência e Contra-Proliferação da Inteligência dos EUA, abrindo a audiência realizada nesta terça-feira (17). Imagem: House Intelligence

“Os pilotos evitaram reportar ou riram quando o fizeram”, disse Carson. “Funcionários do Departamento de Defesa relegaram a questão para os bastidores, ou a varreram inteiramente para debaixo do tapete, com medo de uma comunidade de segurança nacional cética”.

Estiveram presentes na audiência Ronald Moultrie, alto oficial de inteligência do Pentágono e supervisor do escritório de investigações de UAPs, e Scott Bray, vice-diretor de inteligência da Marinha dos EUA, convidado porque os pilotos da Marinha estão entre aqueles que fizeram avistamentos de alto perfil nos últimos 20 anos.

Bray e Moultrie disseram que não há nada até agora nos relatórios que sugira que algo esteja fora das origens terrestres, observando que os astrobiólogos estão entre seus consultores para impedir qualquer possível invasão de vida extraterrestre.

Moultrie enfatizou que, nos últimos anos, os pilotos foram encorajados a fazer relatórios de UAPs e disse que o novo escritório irá ainda mais longe nesse esforço. “O trabalho que está por vir incluirá o exame minucioso de plataformas adversárias e tecnologias potenciais inovadoras, do governo dos EUA ou plataformas comerciais, sistemas aliados ou parceiros e outros fenômenos naturais”.

Segundo ele, o estigma histórico será combatido. “Nosso objetivo é eliminar o estigma incorporando totalmente nossos operadores e pessoal de missão em um processo padronizado de coleta de dados”, disse ele. “Acreditamos que tornar a UAP um imperativo de missão será fundamental para o sucesso da missão.”

Bray acrescentou que novos esforços para investigar OVNIs incluem a participação de especialistas, bem como membros da comunidade de inteligência que abrangem várias agências e departamentos do governo dos EUA, juntamente com laboratórios de pesquisa acadêmica especializados em física, óptica, meteorologia e metalurgia.

“Em suma, nos esforçamos para trazer uma abordagem prática para entender melhor esse fenômeno”, disse Bray, observando, no entanto, que mesmo com toda essa expertise, ainda é difícil quantificar todas as observações. “Qualquer observação pode ser passageira, ou mais longa. Pode ser gravado, ou não. Pode ser observável por um ou vários ativos. Resumindo, raramente há uma resposta fácil”.

Scott Bray, vice-diretor de inteligência da Marinha dos EUA, exibiu um vídeo feito de uma cabine de comando que mostra um avistamento de OVNI. Imagem: House Intelligence

Ele mostrou um vídeo curto feito de uma cabine de comando para ilustrar o problema, no qual um objeto aparece passando por alguns segundos no campo de visão de um piloto da Marinha em uma área de treinamento não revelada. “Em muitos outros casos, temos muito menos do que isso”, disse ele.

EUA se preocupam com tecnologias não supervisionadas de países adversários

Em seguida, o militar mostrou dois vídeos gravados em costas opostas dos EUA, com vários anos de diferença, pelo pessoal da Marinha. As gravações mostraram objetos em forma de triângulo voando pelo céu na vista dos óculos de visão noturna.

O segundo encontro, segundo ele, foi observado por “ativos” independentes (que ele não especificou) confirmando sistemas aéreos não tripulados, ou drones, voando na região. A Marinha agora está “razoavelmente confiante” de que os objetos eram drones, e a forma do triângulo surgiu “como resultado da luz passando pelos óculos de visão noturna e, em seguida, sendo gravada por uma câmera SLR”.

Os avistamentos em regiões costeiras implicam um local provável para embarcações avançadas de reconhecimento por outras nações, sendo que os voos em áreas continentais dos EUA seriam mais fáceis de detectar.

“Não queremos que os potenciais adversários saibam exatamente o que somos capazes de ver ou entender, ou como chegamos às conclusões que fazemos”, disse Bray, sem especificar quais países são preocupantes. “Portanto, as divulgações públicas devem ser cuidadosamente consideradas caso a caso”.

Embora Bray não tenha mencionado, outro membro do comitê chegou a exemplificar dois países que podem estar sob suspeita. “A comunidade de inteligência tem um dever sério para com nossos contribuintes para evitar que potenciais adversários, como a China e a Rússia, nos surpreendam com novas tecnologias imprevistas pelos supervisores da comunidade de inteligência”, disse do estado de Akansas pelo Partido Republicano Rick Crawford.

Para ele, a comunidade tem a responsabilidade de acompanhar qualquer potencial desenvolvimento de armas hipersônicas por esses dois países e, quando for relevante, compartilhar “informações acionáveis” com países como a Ucrânia.

As investigações de OVNIs pelos EUA duram cerca de sete décadas. Uma pequena amostra de iniciativas da Força Aérea, por exemplo, incluem o Projeto Sign (concluído em 1947), o Projeto Grudge (finalizado em 1948) e o famoso Projeto Livro Azul (1952-1969), que analisou mais de 12,6 mil relatos.